
Em assembleia geral, realizada na última quarta-feira, 14 de janeiro, as trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF e IF Sudeste MG aprovaram por ampla maioria o indicativo de greve nacional da categoria, com defesa de início em 2 de fevereiro, além da realização de uma panfletagem como atividade de paralisação no dia 19 de janeiro, data já definida anteriormente pela categoria sempre que houver reunião com o Governo.
O debate foi pautado pelo cenário apresentado na Plenária Virtual da FASUBRA, que indicou a antecipação da Plenária Nacional para os dias 24 e 25 de janeiro, em Brasília, e colocou em discussão a deflagração de greve nos dias 02 ou 23 de fevereiro, diante do descumprimento do acordo firmado em 2024 e da tramitação do PL 6170, que altera pontos centrais da carreira, especialmente o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).
Durante a assembleia, foram apresentados argumentos distintos sobre a data de início da greve. A maioria das falas destacou a urgência do momento político e legislativo, ressaltando que o PL 6170 tramita em regime acelerado e pode ser votado até o fim de fevereiro.
A defesa do início da greve em 2 de fevereiro enfatizou que a antecipação fortalece a pressão sobre o governo federal antes da conclusão da tramitação do projeto. Também foi lembrado que, em março, completam-se dois anos do não cumprimento integral do último acordo de greve, situação inédita desde a década de 1990.
Já as manifestações favoráveis ao dia 23 de fevereiro apontaram a necessidade de maior tempo de mobilização nas bases e avaliaram que o período anterior ao carnaval poderia reduzir o impacto político do movimento, especialmente em Brasília.
Na votação, a assembleia aprovou o indicativo de greve com início em 2 de fevereiro, deixando claro que a decisão final será deliberada pela Plenária Nacional da FASUBRA.
Outro encaminhamento aprovado foi a atividade da paralisação nacional no dia 19 de janeiro, data em que está prevista reunião da FASUBRA com o governo federal. A assembleia definiu que a paralisação será acompanhada de ato e panfletagem no Calçadão da Rua Halfeld, Centro, às 15h, com o objetivo de dialogar com a sociedade sobre os ataques aos serviços públicos, às universidades federais e aos direitos da categoria.
Na ocasião, a direção do sindicato ressaltou que a paralisação integra o processo de construção da greve e reforça a necessidade de mobilização presencial, envolvendo os diversos setores da universidade, respeitando as especificidades dos serviços essenciais.
A assembleia também elegeu os delegados e delegadas que representarão a categoria na Plenária Nacional da FASUBRA, nos dias 24 e 25 de janeiro.
Durante a defesa das chapas, os representantes destacaram a importância do momento político e da unidade em torno da greve e do cumprimento integral do acordo:
A defesa da Chapa “Frente Juntos” foi apresentada pelo técnico-administrativo (TAE) Flávio Sereno. Elei ressaltou que a principal decisão da plenária nacional será a confirmação da greve a partir de 2 de fevereiro, diante do recuo do governo no RSC e do descumprimento de acordos anteriores. A fala enfatizou que a mobilização já forçou o governo a marcar a reunião do dia 19 e que a categoria não deve recuar sem respostas concretas.
A TAE Maria Angela Costa fez a defesa da Chapa “Val e Independente”. Ela destacou que a greve precisa enfrentar tanto as pautas nacionais quanto os problemas locais, denunciando o desrespeito do governo e da administração universitária. Foram citadas reivindicações específicas de segmentos da categoria, como aposentados, trabalhadores do Hospital Universitário, médicos e médicos veterinários, além da defesa do incentivo à qualificação para todos.
Já a defesa do “Coletivo Tribo” foi apresentada pelo coordenador de aposentados Rogério Silva e pela TAE Maria dos Remédios. A manifestação apontou a necessidade de uma atuação firme, mas responsável, na plenária da FASUBRA, buscando encaminhamentos que efetivamente atendam à categoria. Também foi defendido o cumprimento integral do acordo de greve, a implementação do RSC para todos e a retomada da data-base como instrumento essencial de valorização do funcionalismo público.
Ao final da votação, pela proporcionalidade, foram eleitos dois delegados da chapa “Frente Juntos” e um delegado da chapa “Coletivo Tribo”, além do referendo da delegada Rosângela Márcia Frizzero (coordenadora geral) indicada pela direção sindical.
Antecedendo as pautas da assembleia, foi registrada uma homenagem póstuma a Aluísio da Silva, ex-coordenador geral do SINTUFEJUF e referência histórica na organização sindical da categoria. Sua trajetória de luta, desde a fundação da associação até a consolidação do sindicato e a atuação junto aos aposentados, foi lembrada como exemplo de compromisso com os direitos dos servidores públicos e com a organização coletiva.