
Atividade do Outubro Rosa reuniu informações sobre fatores de risco, mamografia, avanços no tratamento e desafios do SUS. O médico Homero Gonçalves Júnior também destacou a importância de cuidar da saúde sem abrir mão da qualidade de vida.
O câncer de mama, os avanços da medicina e a importância de transformar a informação em uma ferramenta de prevenção foram temas de uma palestra promovida pelo SINTUFEJUF, no dia 15 de outubro, como parte da programação do Outubro Rosa. A atividade foi realizada no auditório do sindicato na última quinta-feira, 15 de outubro, com participação também pela plataforma Google Meet, e contou com a presença do médico ginecologista e mastologista Homero Gonçalves Júnior, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
A abertura foi conduzida pelos coordenadores de Saúde do SINTUFEJUF, Janemar Melandre e Ronaldo Dias, que deram as boas-vindas aos participantes e destacaram a importância de promover espaços de conscientização e orientação sobre a saúde. Ronaldo ressaltou a relevância da iniciativa para ampliar o acesso a informações sobre o câncer de mama e contribuir para a prevenção da doença.
Com mais de 50 anos de experiência na medicina, Homero Gonçalves Júnior apresentou informações sobre o desenvolvimento do câncer de mama, os fatores que aumentam o risco da doença, os métodos de rastreamento e as possibilidades de tratamento. Ao longo da exposição, utilizou exemplos de sua trajetória profissional para demonstrar como o diagnóstico precoce pode transformar as perspectivas das pacientes.
Em entrevista concedida à comunicação do SINTUFEJUF, o médico destacou o papel das campanhas de conscientização. Para ele, uma das principais contribuições do Outubro Rosa é despertar a atenção das mulheres para os cuidados com a própria saúde e para os recursos disponíveis de prevenção e diagnóstico.
Durante a palestra, Homero alertou para o crescimento da incidência do câncer de mama e para a identificação de casos em mulheres mais jovens. Apesar desse cenário preocupante, ressaltou que a medicina avançou significativamente nas últimas décadas, permitindo identificar tumores menores e oferecer tratamentos cada vez mais eficazes.
Segundo o especialista, a dimensão e as características do tumor no momento do diagnóstico influenciam diretamente as possibilidades de tratamento e cura. Por isso, a identificação da doença em seus estágios iniciais é fundamental.
Para exemplificar, apresentou o caso de uma paciente cujo tumor foi identificado pela mamografia antes mesmo de apresentar alterações perceptíveis ao toque. Como a doença estava em estágio inicial, foi possível realizar um tratamento menos agressivo, preservando a mama.
O médico explicou que os avanços não se limitam à identificação precoce. A evolução das técnicas cirúrgicas, da quimioterapia e da radioterapia também contribuiu para reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.
Ao recordar o início de sua carreira, relatou que as mastectomias radicais eram muito mais frequentes. Atualmente, em diversos casos, é possível retirar apenas parte do tecido mamário, preservando a mama e proporcionando melhores condições de recuperação e qualidade de vida.
Um dos principais pontos abordados foi a importância da mamografia como instrumento de rastreamento do câncer de mama.
Homero explicou as mudanças recentes nas orientações para a realização do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com ampliação do acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos. Também destacou a necessidade de acompanhamento individualizado, considerando fatores de risco, histórico familiar e condições clínicas.
Durante a apresentação, esclareceu que a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser importantes em situações específicas, mas não substituem a mamografia no rastreamento de rotina.
O médico também abordou os sinais que merecem atenção, como o surgimento de nódulos endurecidos, alterações na pele da mama, retração do mamilo e secreções suspeitas. Ressaltou, entretanto, que nem toda alteração mamária representa câncer, uma vez que muitas condições são benignas.
Sobre o autoexame, explicou que conhecer o próprio corpo é importante para perceber mudanças, mas que essa prática não substitui a avaliação profissional e os exames indicados.
Outro tema de destaque foi a relação entre o câncer de mama e os fatores de risco, que podem ser hereditários, hormonais ou associados aos hábitos de vida.
O médico explicou que o histórico familiar merece atenção especial, principalmente quando há casos da doença entre parentes próximos. Em determinadas situações, pode ser necessária uma investigação genética e um acompanhamento mais rigoroso.
Entre os fatores modificáveis, destacou o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo. A prática regular de atividades físicas, a alimentação equilibrada e a manutenção de hábitos saudáveis foram apontadas como medidas importantes para reduzir riscos.
Homero reconheceu, no entanto, que mudar comportamentos nem sempre é simples. Durante a palestra, compartilhou experiências pessoais e defendeu que as transformações sejam incorporadas gradualmente ao cotidiano, de maneira sustentável.
Também abordou o uso de hormônios, especialmente na menopausa, ressaltando que a terapia hormonal pode ser necessária e benéfica para determinadas mulheres, desde que os riscos e benefícios sejam avaliados individualmente e exista acompanhamento médico.
Na entrevista, o especialista também falou sobre os avanços e as dificuldades enfrentadas pelo SUS no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama.
Segundo Homero, houve melhorias importantes na oferta de exames e nos tratamentos oncológicos ao longo das últimas décadas. Entretanto, ainda existem dificuldades na articulação entre os serviços, especialmente no intervalo entre a identificação de uma alteração suspeita na mamografia e a realização da biópsia necessária para confirmar ou descartar a doença.
Com experiência de décadas no atendimento público, inclusive no Hospital Universitário da UFJF, o médico ressaltou que a agilidade nessa etapa é fundamental para evitar atrasos no início do tratamento.
Outro ponto discutido foi a necessidade de atenção individualizada às mulheres idosas. Ao responder a uma pergunta do público, explicou que o envelhecimento não elimina o risco de câncer de mama e que a continuidade dos exames deve considerar as condições de saúde, a expectativa de vida e as necessidades de cada paciente.
A palestra também abriu espaço para perguntas sobre câncer de mama em homens, cirurgias conservadoras, reposição hormonal, saúde ginecológica e acompanhamento médico após a menopausa.
Um dos momentos mais marcantes da palestra foi a reflexão de Homero sobre a relação entre prevenção, medo e qualidade de vida.
O médico defendeu que os cuidados com a saúde não devem ser encarados como uma obrigação capaz de gerar sofrimento permanente, mas como uma forma de proporcionar segurança e bem-estar.
“A prevenção deve nos trazer segurança”, afirmou, ao destacar que realizar exames, acompanhar a própria saúde e adotar hábitos saudáveis não significa viver sob o medo constante de adoecer.
Em outra reflexão, sintetizou sua mensagem: “Prevenir câncer é muito bom, mas preservar a alegria de viver também é cuidar da saúde.”
Para o especialista, o cuidado deve incluir não apenas a atenção aos aspectos físicos, mas também a preservação do bom humor, dos vínculos afetivos, da disposição para viver e da qualidade de vida.
Ao final, Homero agradeceu o convite e a oportunidade de dialogar com os participantes. A atividade foi encerrada com agradecimentos do SINTUFEJUF ao palestrante e com o reconhecimento da importância de iniciativas que aproximem o conhecimento científico da comunidade.
Assista à palestra completa no canal do SINTUFEJUF no YouTube.
























