Reunião setorial no ICE discute Minuta de Regulamentação do Trabalho Remoto

Na última terça feira, 23, aconteceu a reunião setorial com trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos do Instituto de Ciências Exatas (ICE). Na ocasião, foram discutidos aspectos do conteúdo da Minuta de Regulamentação do Trabalho Remoto, que está em debate no Conselho Superior (Consu), além de seus desdobramentos no trabalho dos TAEs do instituto.

De acordo com o coordenador geral do Sintufejuf, Flávio Sereno, esta foi uma oportunidade do sindicato ouvir a categoria para que o debate nas reuniões do Consu sejam o mais representativo possível. “Conhecer a realidade das diversas unidades nos ajuda a formar uma opinião mais abrangente da realidade da categoria. Por isso incentivamos que as reuniões setoriais com o Sintufejuf aconteçam de forma permanente. Mesmo a distância, como só é possível no atual momento”, explica Flávio.

Conforme o coordenador de Esporte e Lazer do sindicato, e técnico-administrativo do ICE, Paulo Vitor Cota, durante a reunião o sindicato apresentou as contribuições que já foram discutidas em comissão interna da Direção do SINTUFEJUF e ouviu os trabalhadores do ICE. “Apontamos nossas preocupações quanto a definição de trabalho remoto e as precariedades que o texto retrata”, afirma Paulo Vitor. Segundo ele, o setor abrange diversos tipos de trabalhadores, desde os Técnicos Administrativos, especialista em Química e Física que lidam com um trabalho mais prático em Laboratórios, até mesmo mecânicos que trabalham em uma Oficina. “Acredito que a diversidade dos ofícios encaminha a pensarmos com maior abrangência a questão da possibilidade do Trabalho Remoto ou também sua impossibilidade e impedimentos” conclui.

Neste sentido, a técnico-administrativa do ICE Tatiana Ornelas acredita na importância de discutir a minuta de resolução a partir do levantamento das demandas específicas dos TAEs do setor, referentes aos seus respectivos trabalhos. “O ICE é uma unidade grande com uma diversidade enorme de funções. Por isso, foi discutida a necessidade de alteração de alguns pontos da minuta para que todos os TAEs do ICE se sintam contemplados pela resolução, tendo suas atividades e necessidades representadas” opina.

Para a também técnico-administrativa do ICE, Flávia Borges, é importante haver esse debate com todos os servidores uma vez que os trabalhadores têm que estar devidamente informados e preparados para os novos desafios. “Em meu caso, especificamente por serem atividades de natureza administrativa, o trabalho remoto tem boas condições de ser implementado e desenvolvido, com poucas restrições”, acredita.

Por isso, Paulo Vitor acredita ser fundamental escutar todos os trabalhadores de qualquer setor para conhecer as nuanças e fazer a diferença na construção de um texto que terá imposição sobre o trabalho da categoria. “Isto para mim, permite que elas e eles se sintam acolhidos em suas causas, que observem o sindicato como instituição que traz a eles alguma diferença no ambiente do trabalho, além de apontar algo imprescindível: o sindicato não é apenas a formação de uma diretoria, mas a composição de todas e todos na luta por dias melhores no trabalho”, afirma.

Segundo Flávio Sereno, o maior desafio é contemplar no texto final a realidade do trabalho remoto em execução desde março, passando pelas potencialidades e dificuldades encontradas pelos TAEs neste momento.

Tatiana destaca que a regulamentação poderá trazer vantagens e desvantagens. No caso dela, os maiores desafios não estão relacionados à infraestrutura ou tecnologia. “Tudo isso eu tenho acesso. Numa situação normal, na minha casa, até haveria um ganho de qualidade de vida e tempo. Porém, na atual circunstância os desafios para mim tem sido administrar os filhos pequenos em casa, em suas atividades de educação escolar, uma vez que isso foi transferido para os pais, e a administração da casa. Em tempos sem Covid, nós temos toda uma organização e uma estrutura já montada e de repente, ficou difícil, a questão de ajudante que foi dispensada, dos filhos não estarem na escola, então administrar o lar junto com o trabalho, isso representa o maior desafio neste momento”, afirma. Desta forma, a TAE fala da dificuldade em separar o ambiente de trabalho e familiar, o que faz com que o trabalhador se sinta o tempo inteiro à disposição da instituição, perdendo muita qualidade de vida. “Enquanto você está trabalhando fisicamente, você sabe que quando sair da instituição você pode virar a chave e começar outros afazeres, como as atribuições de casa ou de qualquer outras atividades que realize. Porém, quando você está em trabalho remoto, isto é muito sutil, porque você está no mesmo ambiente dentro de casa, no ambiente de trabalho e no ambiente de descanso. A regulamentação, eu espero que ela traga os direitos e deveres do trabalhador diante do trabalho remoto, bem como os direitos e deveres da instituição em relação a cobrança e produtividade de seus servidores”, opina.

Paulo Vitor fala sobre a necessidade de busca de compreensão de todos. “As opiniões postas nesta reunião me parece convergir para pensar que todos nós estamos vivendo uma situação muito delicada para tratarmos de qualquer forma. A pandemia é o tipo de situação na qual as políticas traçadas para se adequar deve imperiosamente levar em consideração TODAS e TODOS QUE SERÃO AFETADOS. Concluo que a espera é de respeito às trabalhadoras e trabalhadores” afirma Paulo Vitor.

SINTUFEJUF

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