Campanha chama atenção para o cuidado com a saúde e para a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento
Outubro começa tingido de rosa para chamar a atenção para um cuidado que precisa acontecer durante todo o ano. O Outubro Rosa é um movimento de conscientização sobre o câncer de mama e reforça a importância da informação, da prevenção possível, da identificação de sinais suspeitos e do acesso ao diagnóstico e ao tratamento em tempo oportuno.
A dimensão do desafio aparece nos dados mais recentes. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, ele é o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras e representa aproximadamente 30% dos novos casos de câncer estimados para a população feminina.
Na Região Sudeste, onde está Minas Gerais, a estimativa de incidência é a mais elevada entre as regiões brasileiras: 88,29 novos casos para cada 100 mil mulheres.
O câncer de mama acontece quando células anormais da mama se multiplicam de forma desordenada e formam um tumor maligno. Embora seja muito mais frequente entre mulheres, a doença também pode atingir homens, que representam cerca de 1% dos casos.
Além dos exames indicados pelos serviços de saúde, é importante que cada pessoa conheça seu corpo e esteja atenta a alterações. Entre os sinais que precisam ser investigados estão caroço ou nódulo na mama; alterações na pele, como retrações ou aspecto semelhante à casca de laranja; mudanças no mamilo; saída espontânea de líquido pelo mamilo e nódulos nas axilas. A presença de uma alteração não significa necessariamente câncer, mas deve motivar a procura por avaliação profissional.
A idade é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença: segundo o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Há ainda fatores relacionados à história reprodutiva e hormonal, antecedentes familiares e genéticos e hábitos de vida.
Nem todos os casos de câncer de mama podem ser evitados, mas alguns hábitos contribuem para reduzir o risco. Manter uma alimentação saudável, praticar atividade física, manter o peso corporal adequado e evitar bebidas alcoólicas estão entre as medidas recomendadas.
Desde 2025, o acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi ampliado. Mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas de câncer de mama, podem realizar o exame pelo SUS, mediante decisão conjunta com o profissional de saúde e após receberem orientações sobre os benefícios e possíveis riscos do rastreamento. Serviços e Informações do Brasil
A garantia foi reforçada pela Lei nº 15.284/2025, que assegura a todas as mulheres, a partir dos 40 anos, o direito à realização da mamografia, observadas as diretrizes do Ministério da Saúde.
Para o rastreamento populacional de rotina, a faixa considerada prioritária pelo Ministério da Saúde é a de 50 a 74 anos, com mamografia a cada dois anos. Já entre 40 e 49 anos, a decisão deve ser individualizada e compartilhada com o profissional de saúde.
Quando existem alterações suspeitas, porém, não se deve esperar a idade ou o intervalo previsto para o rastreamento: é necessário procurar atendimento para investigação.
Para o SINTUFEJUF, o Outubro Rosa também representa uma oportunidade de reafirmar que o cuidado com a saúde das trabalhadoras deve fazer parte da defesa permanente de direitos.
Prevenção não depende apenas de decisões individuais. Ela passa por informação de qualidade, acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), condições adequadas de trabalho e possibilidade concreta de realizar consultas, exames e tratamentos quando necessários.
Ao longo deste mês, o laço rosa ajuda a tornar o tema mais visível. Mas a mensagem precisa permanecer durante todo o ano: informação, prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento podem salvar vidas. Cuidar da saúde é um direito.
SINTUFEJUF — união, informação e defesa da saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores.