Mês de março é marcado por atividades do dia internacional da mulher

O dia internacional da mulher, 8 de março, tem origem na mobilização de mulheres russas, costureiras e tecelãs, que foram às ruas em 1917 na luta por paz, pão e terra. “Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo”, escreveu a líder revolucionária Alexandra Kollontai, em 1920. De lá pra cá muitas foram as mobilizações que marcaram a data, desde a luta pelo direito ao voto até o combate à violência contra a mulher e a desigualdade salarial. Neste março de 2019 as principais pautas que levaram as mulheres às ruas foram o combate ao feminicídio, a luta contra a reforma da previdência de Bolsonaro e o pedido de justiça por Marielle Franco, vereadora assassinada no ano passado no Rio de Janeiro.

As mulheres do Sintufejuf participaram da construção de atividades unificadas junto ao Fórum Feminista 8M e a Diretoria de Ações Afirmativas da UFJF (DIAF), realizando manifestações, blocos de carnaval, rodas de conversa e outras atividades. A equipe de comunicação do Sintufejuf também realizou uma ação para o dia internacional da mulher, divulgando nas redes sociais o vídeo “Parem de nos matar”, com a participação de mulheres da categoria que discutiram questões ligadas ao machismo, feminicídio, racismo, LGBTfobia e a execução de Marielle Franco.

Categoria adere a greve internacional de mulheres

No dia 7 de março aconteceram em Juiz de Fora e Governador Valadares assembleias nas quais a categoria decidiu, por unanimidade, aderir à greve internacional de mulheres no dia 8 de março. Esse já é o terceiro ano consecutivo que a categoria participa da mobilização mundial, sendo que dessa vez as servidoras do campus Juiz de Fora e da Reitoria do IF Sudeste MG aderiram pela primeira vez ao movimento e paralisaram suas atividades. Mundialmente a principal pauta foi o combate ao feminicídio. No Brasil também foram incluídas a luta contra a reforma da previdência de Bolsonaro e a solução do caso Marielle. Algumas das propostas da Reforma que mais prejudicam as mulheres são o aumento da idade mínima para aposentar, do tempo de contribuição e da alíquota. O texto também ignora a realidade das mulheres que tem, muitas vezes, jornadas duplas ou triplas de trabalho. Natália Paganini explica que essa greve é muito importante para que as mulheres possam paralisar suas atividades e dedicar-se à luta no dia 8 de março.

No dia 8 de março, quando as mulheres da categoria paralisaram suas atividades para ir às ruas, as atividades começaram cedo, com um café feminista. Às 7h da manhã a Praça da Estação já era palco do diálogo entre mulheres sobre os impactos da reforma da previdência. Mais tarde, às 17h, também na Praça da Estação, foi realizado um grande ato para marcar a greve. As entidades presentes fizeram falas, nas quais diversas pautas foram abordadas, dentre elas o combate à violência contra a mulher, o feminicídio, racismo e a LGBTfobia, além do assédio e da desigualdade salarial. Após as falas o grupo de mulheres seguiu em marcha até o Parque Halfeld. A coordenadora geral do Sintufejuf, Maria Angela Costa, avaliou positivamente toda a mobilização e afirmou que as mulheres tem protagonizado a luta contra o avanço do fascismo. Para ela o dia 8 de março foi mais um exemplo da força da união entre as mulheres.

Ato marca um ano sem Marielle e pede justiça

Na data em que completa um ano do assassinato de Marielle Franco, as mulheres de Juiz de Fora ocuparam as principais ruas da cidade para pedir justiça. O ato começou às 17h, no calçadão da rua Halfeld, onde foram feitas falas e o samba enredo da Mangueira, em homenagem a Marielle, foi tocado. Ao som do Maracatu Estrela da Mata todas e todos desceram em vigília a rua halfeld, até a Praça da Estação, onde aconteceram apresentações culturais com MC Xuxu, Laura Conceição e outras artistas locais. A coordenadora de educação e formação sindical do Sintufejuf, Natália Paganini, afirma que independente das tentativas de calar a voz de Marielle e das mulheres, elas vão continuar se organizando para resistir e lutar por seus direitos. “O fato das mulheres irem pra rua cobrar respostas é um jeito também de dizer que a voz da Marielle não vai ser calada”, afirmou Natália. Durante o trajeto o setorial de mulheres do PSOL também fez uma intervenção, na qual o feminicídio no Brasil foi pautado, lembrando que a cada duas horas morre uma mulher no país. Somos o quinto país que mais mata mulheres no mundo.

Marielle Franco foi assassinada no dia 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, depois de participar do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Casa das Pretas. Até hoje, mais de um ano depois, ainda não se sabe quem foi o mandante do crime. O The Intercept Brasil produziu uma série de reportagens investigativas sobre o caso que abordam as muitas teorias e fatos que envolvem o assassinato de Marielle e mostram que sua morte foi uma execução política.

Carnaval também é resistência

O Fórum Feminista 8M realizou neste ano o bloco Filhas da Luta, para dialogar com a população sobre pautas feministas e reafirmar a autonomia da mulher. O evento aconteceu no dia 21 de fevereiro, na Praça da Estação, e também serviu como forma de mobilizar as mulheres para a greve internacional do dia 8 de março. Os grupos Samba de Colher e Maracatu Estrela na Mata se apresentaram durante o bloco, que contou com ampla participação popular.

Outro marco para o carnaval juizforano foi o acordo realizado entre a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o bloco Domésticas de Luxo. Pela primeira vez, em 60 anos de história do bloco, os foliões abandonaram a prática do black face – quando pessoas brancas se pintam de negras, utilizam perucas crespas, etc – e os adereços que faziam referência às pessoas negras, especialmente mulheres, de forma pejorativa e estereotipada. A coordenadora geral do Sintufejuf afirma que essa é uma revolução para o carnaval na cidade, já que é um bloco tão tradicional, que se viu obrigado a mudar de postura após a mobilização de mulheres. Para ela o bloco não representava o carnaval juizforano, mas sim a dor do racismo e da exploração das mulheres negras, cujo primeiro emprego, muitas vezes, é como empregada doméstica em casas de família. A própria Maria Angela conta que seu primeiro emprego, ainda antes dos 18 anos, foi como empregada doméstica, sem qualquer registro oficial. Ela também lembrou que muitos direitos trabalhistas, como adicional noturno e seguro desemprego, só foram conquistados pelas empregadas domésticas em 2015, muitos anos depois de boa parte da classe trabalhadora já obter esses direitos.