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Em greve, categoria TAE ocupa Reitoria da UFJF até fechamento do ponto eletrônico. Trabalhadores do IF Sudeste MG também aderiram ao movimento paredista.

24/02/2026

O dia 23 de fevereiro foi marcado por intensa mobilização das trabalhadoras e dos trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs), com a realização de duas assembleias: pela manhã, no IF Sudeste MG; à tarde, em assembleia geral unificada com a base da UFJF e do campus avançado de Governador Valadares. As deliberações consolidaram a greve e culminaram na ocupação da Reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora até o fechamento do ponto eletrônico.

Manhã: IF Sudeste MG organiza comando local e mantém greve aprovada em 11 de fevereiro para o dia 23

Na assembleia da manhã, os TAEs do IF Sudeste MG iniciaram a greve já deflagrada em 11 de fevereiro e avançaram na organização interna do movimento.

Entre os pontos debatidos estiveram a tramitação do Projeto de Lei do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que atualmente exclui aposentados, doutores e servidores em estágio probatório, e a necessidade de acompanhamento permanente da pauta no Senado. Também foram reafirmadas reivindicações históricas, como a defesa das 30 horas, valorização da carreira e melhores condições de trabalho.

A coordenadora-geral do sindicato, Rosângela Frizzero, destacou que a greve é resultado do acúmulo de frustrações com o descumprimento de acordos e com a exclusão de segmentos da categoria nas propostas em tramitação. “Não estamos reivindicando algo novo. Estamos cobrando o que já foi acordado e o que é direito da nossa carreira. A unidade da categoria é fundamental para corrigir essas distorções”, afirmou.

A assembleia deliberou pela organização do comando local de greve do IF Sudeste MG, articulado ao comando geral, com reuniões periódicas e participação nas instâncias nacionais da FASUBRA.

Outro encaminhamento foi a aprovação do Fundo de Greve, com contribuição assistencial de 1% do salário-base.

Tarde: assembleia de greve unificada aprova pressão direta à Reitoria

À tarde, com auditório e sala virtual lotados (cerca de 500 participantes), a assembleia geral unificada formalizou a instalação da greve na base da UFJF, dentro do prazo legal de 72 horas já comunicado à administração. Nacionalmente, a paralisação conta com maioria das instituições favoráveis.

A categoria debateu orientações iniciais de atuação, organização das escalas nos setores considerados essenciais, como Hospital Universitário, Hospital Veterinário e áreas de vigilância, e a composição do comando local de greve, que passa a ser instância central de deliberação e negociação.

O coordenador-geral Carlos Augusto Martins ressaltou que a mobilização expressiva demonstra a disposição da base para sustentar o movimento. “Greve é instrumento legítimo e constitucional. Quando a categoria lota a assembleia e decide coletivamente, envia um recado claro: não aceitaremos retrocessos nem o enfraquecimento do nosso direito de luta”, declarou.

Foram reafirmadas as principais pautas nacionais e locais: implementação adequada do RSC, defesa das 30 horas, avanço do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), combate ao assédio moral e sexual, dimensionamento da força de trabalho e melhoria das condições de trabalho.

Fechamento do ponto eletrônico vira eixo central do enfrentamento

O ponto mais tenso da assembleia foi a discussão sobre a manutenção do ponto eletrônico aberto pela administração superior. A categoria avaliou que a permanência do registro de frequência durante a greve representaria grave enfraquecimento do movimento e mecanismo de pressão individual sobre os servidores.

Diálogo e decisão de ocupar a Reitoria

Antes das deliberações finais, representantes da categoria se deslocaram até o gabinete da reitora Girlene Alves para que ela comparecesse à assembleia e assumisse o compromisso de fechamento imediato do ponto eletrônico.

No entanto, foi informado que a reitora estava em exercício em Brasília. O grupo foi recebido pelo secretário-geral da instituição, Álvaro Quelhas, que afirmou não ter autorização para participar da assembleia nem para deliberar sobre o fechamento do ponto. Segundo o relato feito ao plenário, a reitora encontrava-se em agenda externa sem deixar outro responsável designado para responder institucionalmente pela Reitoria naquele momento.

Ao ser comunicada da situação, a assembleia avaliou que a ausência de resposta formal da administração configurava uma tentativa de esvaziar o debate e postergar uma decisão considerada central para o movimento. Diante disso, o plenário deliberou pela ocupação da Reitoria até que houvesse posicionamento oficial sobre o fechamento do ponto eletrônico.

Deliberação coletiva e paralisação total

Por ampla maioria, foi aprovado que:

  • A assembleia se deslocaria imediatamente ao gabinete da Reitoria para exigir o fechamento do ponto eletrônico;
  • O comando de greve não receberá demandas de gestores sobre funcionamento de setores enquanto o ponto permanecer aberto;
  • A paralisação é total, com orientação de não comparecimento ao trabalho e não registro de ponto.

Naquele momento, a manutenção do ponto eletrônico aberto era classificada como medida grave e inédita, por permitir o controle individualizado dos dias de paralisação e, na avaliação da categoria, enfraquecer o direito coletivo de greve.

Um documento complementar foi redigido e entregue formalmente à administração, comunicando a paralisação integral dos setores a partir daquela tarde. A mobilização seguiu com vigília e pressão política até que houvesse resposta oficial.

Mobilização garante fechamento do ponto

Diante da mobilização da categoria e da permanência no prédio da Reitoria, o secretário-geral entrou em contato com o vice-reitor Telmo Ronzani, que se dirigiu à instituição para dialogar diretamente com os grevistas.

Após a reunião com representantes do comando de greve e da assembleia, o vice-reitor acatou a reivindicação e confirmou o fechamento do ponto eletrônico a partir de terça-feira, 24, reconhecendo a legitimidade da deliberação da categoria.

Para a direção sindical, o episódio demonstra que a mobilização firme desde o primeiro dia é determinante para garantir respeito ao direito de greve e fortalecer a negociação das demais pautas da categoria.

Greve consolidada e mobilização ampliada

As duas assembleias do dia 23 consolidaram a greve na base local e reforçaram a disposição de enfrentamento da categoria. Pela manhã, o IF Sudeste MG estruturou seu comando local. À tarde, a assembleia unificada da UFJF elevou o patamar da mobilização ao condicionar qualquer negociação ao fechamento imediato do ponto eletrônico.

A avaliação predominante foi de que defender o direito de greve exige firmeza desde o primeiro dia, com unidade, participação massiva e pressão direta sobre a administração superior. Novas assembleias e reuniões do comando local já estão previstas para dar continuidade à organização do movimento.