Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é um marco na luta contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo. A data é importante para reafirmar a identidade, mostrar a resistência e refletir sobre a desigualdade social, a política genocida da polícia e do governo, entre outras especificidades que fazem parte da realidade negra feminina.

De acordo com a coordenadora do SINTUFEJUF, Isabel Cristina Nascimento, são muitos os desafios enquanto povo preto numa sociedade em que até o próprio governo discrimina pela cor da pele e gênero. “São vários dias de luta. Este é um momento para trazer todos para refletirem. Eu vejo que a população preta, principalmente periférica é totalmente desprovida de tudo, desde a educação, saúde, lazer”, afirma.

Segundo ela, os desafios para a população negra, principalmente mulheres, são sempre os mesmos, como conseguir espaço no mercado de trabalho, na educação, e mostrar para outras mulheres negras que a cor da pele não delimita sua capacidade. “A gente sabe que as pessoas recriminam muito a gente por ser retinta. A gente pode até pensar que não, mas a população preta ainda sofre discriminação”, lamenta. Outra responsabilidade culturalmente atribuída às mulheres, é o cuidado com a família, com os filhos e com as tarefas domésticas. 

Neste momento de pandemia, a situação torna-se ainda mais complexa. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intitulada “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça” aponta que  as pessoas pretas ou pardas enfrentam taxas de desocupação e informalidade superiores às de pessoas brancas, além de serem as mais presentes nas faixas de pobreza e extrema pobreza. Com a pandemia, o problema é agravado. Um Estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP mostra os efeitos da pandemia sobre os diferentes recortes da população brasileira. Conforme o estudo, a partir das reduções do auxílio emergencial, o aumento da pobreza e da extrema pobreza no Brasil intensificou as desigualdades raciais e de gênero que já existiam antes da pandemia. Os dados apontam que antes da pandemia, 33% das mulheres negras estavam abaixo da linha da pobreza. Já em 2021 a taxa aumentou para 38%. Entre a população branca, a taxa era de 15% e aumentou para 19% com a pandemia, tanto para homens quanto para mulheres. A extrema pobreza atingia 9,2% das mulheres negras, passando para 12,3%, enquanto que para homens brancos, a taxa era de 3,4% e subiu para 5,5% no mesmo intervalo

O índice de desemprego também atinge em maior proporção a população negra. No final de 2019, 8,7% das pessoas brancas estavam desempregadas, um ano depois, passou para 11,5%. Já entre a população preta, o desemprego era de 13,5% antes da pandemia, e no final de 2020 subiu para 17,2%. “A maioria das mulheres que perderam o emprego são negras, que trabalhavam em serviços domésticos”, afirma Isabel. Com isso, conforme Isabel, os riscos de sofrer violência doméstica são intensificados. “Isso ocorre porque muitas de nós, devido à pandemia, estamos passando mais tempo em casa, e ficamos mais vulneráveis às agressões”, explica.

Quando não perdem seus empregos, sofrem maior exposição ao risco de contágio e morte por covid-19, além de muitas vezes perderem seus familiares para a doença. De acordo com Isabel, a população preta é a que mais morre de Covid. “Na área de saúde, a maioria que trabalha na prestação de cuidados é a mulher preta. Quando morre de Covid é a mulher preta”. Conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mulheres negras são em geral técnicas de enfermagem ou agentes comunitárias de saúde e estão mais em contato com pacientes infectados, recebem menos treinamento, orientação e equipamento de proteção.

SINTUFEJUF

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