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Assembleia do SINTUFEJUF questiona metodologia da reforma estatutária da UFJF 

08/10/2026

Categoria defende participação democrática e paridade na atualização do Estatuto da Universidade, aprova criação de Grupo de Trabalho e debate mobilização diante da conjuntura política nacional

O SINTUFEJUF realizou, na quarta-feira (7), uma Assembleia Geral dos Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que teve como principal pauta o processo de atualização do Estatuto da instituição e a indicação de representantes da categoria para as comissões responsáveis pela reforma estatutária e pela elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). A assembleia também discutiu a conjuntura política nacional e a necessidade de mobilização em defesa da democracia, dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores.

A mesa foi composta pelos coordenadores gerais do SINTUFEJUF, Rosângela Frizzero e Carlos Augusto Martins, e pelo coordenador jurídico, Paulo Jesus.

Ao longo dos debates, os participantes manifestaram preocupação com o cronograma e a metodologia apresentados pela Administração Superior da UFJF para a atualização estatutária, especialmente pela ausência de paridade entre os segmentos universitários e pela realização simultânea das discussões sobre o Estatuto e o PDI.

Na ocasião, a assembleia registrou sua discordância em relação ao modelo proposto pela Reitoria. Também foi encaminhada a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para aprofundar o debate e subsidiar a atuação dos representantes dos TAEs.

Reforma estatutária: categoria questiona prazos e representatividade

Durante a apresentação da pauta, a coordenadora geral Rosângela Frizzero contextualizou as discussões realizadas no Conselho Superior (Consu) da UFJF sobre a proposta de atualização do Estatuto, documento que estabelece as bases da organização e do funcionamento da Universidade.

Embora reconheçam a importância de atualizar um Estatuto com mais de três décadas, os participantes da assembleia questionaram as condições estabelecidas para a condução do processo.

Uma das principais críticas foi direcionada à decisão da Administração Superior de vincular o cronograma da reforma estatutária ao processo de elaboração do novo Plano de Desenvolvimento Institucional.

Conforme esclarecido durante a assembleia, o PDI possui prazo de vigência e exigências legais para sua renovação, enquanto a atualização do Estatuto não está submetida à mesma obrigatoriedade de conclusão no período proposto.

Para os participantes, a realização simultânea dos dois processos pode comprometer a profundidade das discussões, limitar a participação da comunidade universitária e dificultar a construção de propostas que contemplem efetivamente os interesses dos diferentes segmentos.

Também foram levantadas preocupações quanto à realização das etapas decisivas da reforma estatutária em 2027, período em que a UFJF deverá vivenciar o processo eleitoral para a escolha de sua próxima Reitoria.

Na avaliação da categoria, a coincidência entre esses processos torna o momento inoportuno para uma discussão de tamanha relevância institucional.  A assembleia também destacou a necessidade de acompanhar os debates nacionais sobre democratização das universidades federais, além de reforçar os questionamentos sobre a rapidez do processo e defenderam que a categoria se organize para evitar que decisões estruturais sejam tomadas sem amplo debate.

Paridade e Assembleia Universitária Estatuinte

A falta de paridade na composição das instâncias responsáveis pela atualização estatutária foi outro ponto central das discussões.

Os participantes criticaram a predominância de representantes docentes e da gestão universitária nas estruturas propostas, situação que, segundo as manifestações, reproduz a desigualdade de representação existente no Conselho Superior.

Durante a assembleia, foi defendida a adoção de uma composição paritária, com aproximadamente 33% de representação para cada um dos três segmentos da comunidade universitária: docentes, técnico-administrativos e estudantes.

A proposta busca assegurar condições mais equilibradas de participação e decisão, impedindo que um único segmento detenha a maioria das deliberações sobre o futuro da instituição.

Também ganhou destaque a defesa de uma Assembleia Universitária Estatuinte, construída a partir de ampla participação da comunidade acadêmica e de representantes da sociedade.

Os participantes argumentaram que uma reforma estatutária deve resultar de um processo democrático, transparente e participativo, com discussões nas unidades acadêmicas e administrativas e oportunidades efetivas para apresentação de propostas.

Nesse sentido, foram apresentadas críticas à metodologia que prevê a elaboração inicial de documentos por grupos restritos, antes de uma discussão mais abrangente com a comunidade universitária.

A assembleia também ressaltou que a atualização do Estatuto pode produzir consequências diretas sobre a organização administrativa, as atribuições dos cargos de chefia, as relações de trabalho e os mecanismos institucionais de responsabilização e enfrentamento ao assédio.

Apesar das críticas à metodologia estabelecida pela Administração Superior, a assembleia considerou fundamental garantir a presença dos TAEs nos espaços institucionais de discussão.

A direção do SINTUFEJUF defendeu que a escolha dos representantes ocorresse de forma democrática, por meio da manifestação voluntária de integrantes da categoria, sem imposição prévia de nomes pela coordenação sindical.

A votação foi acompanhada de uma ressalva política: a participação dos representantes não significa concordância da categoria com o cronograma ou com a metodologia proposta para a reforma do Estatuto.

A posição aprovada reafirma a necessidade de questionar o modelo em discussão no Consu e defender condições efetivamente democráticas para a participação dos três segmentos universitários.

A assembleia também apontou a importância de que os representantes mantenham diálogo permanente com a base, garantindo que as posições defendidas nas comissões sejam construídas coletivamente.

Grupo de Trabalho vai subsidiar atuação da categoria

Entre os encaminhamentos aprovados está a criação de um Grupo de Trabalho do SINTUFEJUF para acompanhar e aprofundar as discussões sobre a atualização estatutária.

O GT terá como objetivo reunir contribuições da categoria, estudar os documentos apresentados pela Administração Superior e oferecer subsídios técnicos e políticos aos representantes dos TAEs nas comissões institucionais.

Também foi proposta a realização de rodadas de conversa com trabalhadores das diferentes unidades da UFJF, ampliando o acesso às informações e permitindo que a comunidade participe da construção de alternativas para o processo.

A direção sindical deverá buscar diálogo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com a Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (APES), visando à articulação de posições em defesa da democratização universitária e da paridade de representação.

Outro encaminhamento foi a elaboração de uma nota pública para apresentar o posicionamento da categoria sobre a inoportunidade do cronograma e os problemas identificados na metodologia da reforma estatutária.

Os interessados em participar do Grupo de Trabalho poderão encaminhar seus nomes ao Departamento de Comunicação do SINTUFEJUF.

Conjuntura nacional e defesa dos serviços públicos

Na segunda parte da assembleia, os participantes discutiram a conjuntura política nacional após o primeiro turno das eleições de 2026, com destaque para os impactos das disputas eleitorais sobre os direitos dos trabalhadores, as universidades federais e os serviços públicos.

As manifestações ressaltaram a importância da participação política da categoria e da mobilização social diante dos riscos de retrocessos nas políticas públicas e nas garantias democráticas.

Durante o debate, foram recuperadas conquistas obtidas pelos técnico-administrativos por meio da organização sindical, das greves e das negociações, incluindo reajustes salariais, reestruturação da carreira, melhorias nos benefícios e retomada de espaços nacionais de negociação.

Os participantes destacaram que a manutenção e a ampliação dessas conquistas dependem da capacidade de mobilização dos trabalhadores, independentemente dos resultados eleitorais.

Também foi defendida a intensificação do diálogo com a sociedade, especialmente sobre a importância das universidades públicas, do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas sociais para a população brasileira.

A assembleia reforçou a necessidade de articulação com o movimento estudantil e outras entidades representativas, além da participação em manifestações públicas em defesa da democracia.

Como encaminhamento, foi anunciada uma nova Assembleia Extraordinária para o dia 13 de outubro, às 8h30 no auditório da Reitoria (Campus/UFJF e plataforma meet), destinada a aprofundar o debate sobre a conjuntura política nacional e a mobilização da categoria.