
A Assembleia Geral do SINTUFEJUF, realizada na última sexta-feira (17), reuniu técnico-administrativos em Educação (TAEs) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do IF Sudeste MG para fazer um balanço do movimento grevista, discutir os desafios enfrentados durante a mobilização e definir os próximos passos da organização sindical. A assembleia foi conduzida pelos coordenadores gerais Rosângela Frizzero e Carlos Martins, pelo coordenador de Aposentados, Rogério Silva, e pela coordenadora de Saúde, Janemar Melandre. O encontro marcou a avaliação política da greve nacional, encerrada oficialmente após a assinatura do termo de acordo entre a FASUBRA-Sindical e o Ministério da Educação (MEC), e apontou caminhos para fortalecer a atuação da categoria nos próximos períodos de luta.
Na abertura da assembleia, o coordenador geral Carlos Martins ressaltou que, embora a greve nacional tenha sido oficialmente encerrada com a assinatura do acordo entre a FASUBRA-Sindical e o MEC, a atuação do sindicato continua voltada para a conclusão das negociações locais. “A nossa greve nacional efetivamente se encerrou com a assinatura do acordo entre a FASUBRA e o MEC. Agora, nossa prioridade é construir e assinar o acordo local com a Reitoria, contemplando todos os pontos discutidos durante a greve de 2026.”, afirma.
Carlos informou que o SINTUFEJUF já agendou uma reunião, em caráter de urgência, com a Reitoria para formalizar o acordo local, garantindo a regulamentação da reposição das atividades represadas nos mesmos moldes pactuados nacionalmente.
O coordenador lembrou que a greve foi marcada por um processo de judicialização considerado inédito para a categoria. Segundo ele, diante desse cenário, o Comando Local de Greve e a assembleia decidiram encerrar a paralisação antes do julgamento da ação movida pelo Ministério Público Federal, estratégia que contribuiu para que o processo fosse posteriormente extinto por perda de objeto. “O Ministério Público se manifestou pela extinção da ação porque a greve já havia terminado, e a Justiça confirmou esse entendimento. Isso nos dá mais tranquilidade para negociar com a Reitoria a reposição das atividades represadas.”, explica.
Para o coordenador, a decisão fortalece a negociação do acordo local, uma vez que o sindicato defenderá o mesmo modelo firmado entre a FASUBRA e o MEC, baseado na reposição das atividades represadas, e não na compensação por horas trabalhadas.
A principal reflexão da assembleia foi sobre os impactos da judicialização das greves no serviço público federal.
A coordenadora geral Rosângela Frizzero avaliou que o movimento sindical precisará construir novas formas de mobilização diante do cenário enfrentado nesta greve. “Nós vamos ter que reaprender a fazer greve. A judicialização passou a ser uma realidade e precisamos encontrar novas estratégias para garantir o direito de mobilização da categoria.”, opina.
Rosângela lembrou que outras universidades federais também sofreram ações judiciais durante a paralisação e alertou que essa tendência poderá se repetir. “A greve acabou, mas a luta continua. Tudo o que conquistamos foi com organização e mobilização. Nada veio sem luta.”, afirma.
O coordenador de Aposentados, Rogério Silva, também avaliou que a greve apresentou características inéditas. Segundo ele, o movimento ocorreu em um contexto diferente das mobilizações anteriores, sem a unificação nacional observada em outras greves e sob forte pressão da judicialização. “Essa greve nos deixou muitos aprendizados. A ameaça de judicialização desde os primeiros dias muda completamente a forma como precisamos organizar as próximas mobilizações.”, lamenta.
Rogério ainda lembrou que a preocupação com um eventual corte de salários foi determinante para que a categoria deliberasse pelo encerramento da paralisação no momento considerado mais seguro para os trabalhadores.
Ao longo da assembleia, diversos participantes fizeram questão de agradecer o trabalho desenvolvido pelo Comando Local de Greve, pelos trabalhadores do SINTUFEJUF e pelos servidores que participaram ativamente da mobilização.
Rogério Silva destacou o empenho coletivo. “Queremos agradecer a todas as pessoas que se envolveram de corpo e alma nessa greve e que fortaleceram o nosso movimento, tanto em Juiz de Fora quanto em Governador Valadares.”
Também foram prestadas homenagens aos aposentados, reconhecendo que muitas das conquistas atuais são resultado das lutas travadas pelas gerações anteriores de servidores.
Integrante do Comando Local de Greve, Giane Chaves Fernandes afirmou que o movimento representou um processo intenso de aprendizado para todos que participaram da organização da paralisação. “Foi uma greve muito diferente da de 2012. Tivemos muitos desafios e aprendemos, na prática, que teremos de construir novas formas de organização para enfrentar a judicialização.”, afirma.
Ela reconheceu que o volume de demandas durante a greve dificultou o atendimento imediato aos servidores e pediu compreensão à categoria pelas dificuldades enfrentadas.
Giane também fez um reconhecimento público ao trabalho da coordenadora geral Rosângela Frizzero. “A Rosângela simbolizou essa greve. Foram dias e noites de trabalho, muitas vezes enfrentando problemas pessoais e de saúde, mas sempre comprometida com a defesa da categoria.”, opina.
Segundo ela, o esforço coletivo do comando foi fundamental para reunir informações, produzir documentos e garantir a defesa jurídica do movimento durante todo o período de paralisação.
Representando os técnico-administrativos do campus Governador Valadares, Denise Rodrigues Alves agradeceu a integração entre os dois campi durante toda a greve e destacou que o trabalho conjunto foi essencial para fortalecer o movimento. “Mesmo diante dos momentos mais difíceis, conseguimos construir essa mobilização juntos. Hoje já conseguimos enxergar conquistas importantes, especialmente em relação ao Reconhecimento de Saberes e Competências.”, comenta.
Ela também agradeceu o apoio prestado pelos trabalhadores do sindicato e pelo comando local, destacando a estrutura oferecida para garantir a participação dos representantes de Governador Valadares nas atividades realizadas em Juiz de Fora.
Entre os encaminhamentos apresentados na assembleia estão a criação de uma Comissão de Mobilização com representantes das diversas unidades da UFJF e do IF Sudeste MG, a realização de cursos de formação sindical, a divulgação da atuação dos representantes da categoria nos conselhos universitários e a apresentação da prestação de contas da greve na próxima assembleia.
As medidas têm como objetivo ampliar a participação da base e fortalecer a organização da categoria para os próximos enfrentamentos.
A assembleia também trouxe atualizações sobre a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), uma das principais conquistas da greve nacional dos técnico-administrativos.
Membro da Comissão Interna de Supervisão (CIS) e integrante do Grupo de Trabalho responsável pela implantação do RSC na UFJF, o técnico-administrativo Felipe Santos informou que os trabalhos iniciados em abril foram concluídos na última semana, culminando na publicação da portaria que oficializa as comissões responsáveis pela análise dos processos. “O grupo de trabalho encerrou suas atividades e agora entramos na fase de implementação. As comissões já foram nomeadas e devem iniciar as reuniões de alinhamento nos próximos dias para que todas as avaliações sigam os mesmos critérios.”, explica.
Segundo Felipe, o primeiro passo será a capacitação dos membros das comissões, que passarão por treinamento para garantir uniformidade nas análises e segurança jurídica durante todo o processo.
Ele explicou que a UFJF também está finalizando um sistema eletrônico específico para o envio da documentação pelos servidores, desenvolvido em parceria com outra instituição federal. A ferramenta permitirá a distribuição automática dos processos entre as bancas avaliadoras, além de possibilitar a declaração de impedimentos pelos avaliadores, assegurando maior transparência ao procedimento.
Outro ponto destacado foi a preocupação em evitar interpretações divergentes entre as comissões. “Precisamos garantir que todos os servidores sejam avaliados pelos mesmos parâmetros. O objetivo é que o processo seja o mais justo, uniforme e transparente possível.”
Felipe informou ainda que a universidade prepara um hotsite com perguntas frequentes, orientações sobre a documentação exigida e canais de atendimento para auxiliar os servidores durante o período de inscrições. Também está prevista a realização de plantões presenciais para quem precisar localizar documentos mais antigos que ainda não estejam disponíveis em formato digital.
Em relação aos aposentados, o representante da CIS explicou que ainda é aguardada uma regulamentação complementar do Ministério da Educação (MEC), que deverá esclarecer alguns pontos da implementação do programa. Enquanto isso, a UFJF optou por adotar os procedimentos considerados mais seguros para evitar questionamentos futuros.
Apesar da expectativa da categoria, Felipe ressaltou que a prioridade é garantir que todo o processo seja realizado com segurança. “Sabemos que todos têm pressa e compreendemos essa ansiedade, mas há muita gente trabalhando para que o processo aconteça da melhor forma possível. A nossa preocupação é assegurar que nenhum servidor tenha problemas no futuro por causa de alguma interpretação equivocada da documentação.”, pontua.
Segundo ele, a expectativa é que o sistema seja disponibilizado ainda nas próximas semanas e que os primeiros processos possam ser analisados em tempo de produzir reflexos na folha de pagamento o mais breve possível.
A coordenadora de Comunicação, Edna Cannobietti, afirmou que o movimento deixou importantes aprendizados para o sindicato e para a categoria. “As próximas greves serão diferentes. Vamos precisar estudar novas formas de organização e nos adequar a essa nova realidade.”
Edna também agradeceu o empenho de todos que participaram da mobilização e fez um reconhecimento especial aos dirigentes que estiveram à frente do comando durante todo o movimento. “Quero agradecer a dedicação de Carlos e Rosângela, que mesmo enfrentando questões familiares permaneceram firmes no compromisso assumido com a categoria, além de todas as pessoas que contribuíram para que essa greve acontecesse.”
Ao final da assembleia, os participantes reafirmaram o compromisso de manter a mobilização permanente, acompanhar o cumprimento dos acordos firmados e fortalecer a organização dos técnico-administrativos da UFJF e do IF Sudeste MG, entendendo que a defesa dos direitos da categoria depende da participação coletiva e da construção de uma base cada vez mais unida.











