
Em assembleia geral realizada nesta quarta-feira (11), as trabalhadoras e os trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFJF (Juiz de Fora e Governador Valadares) e do IF Sudeste MG aprovaram a deflagração da greve a partir do dia 23 de fevereiro, com 215 votos favoráveis, e apenas dois contrários e três abstenções.
A mesa foi conduzida pelo coordenador geral do SINTUFEJUF, Carlos Augusto Martins, e pelo coordenador de aposentados, Rogério Silva, que organizaram os debates a partir da pauta central: a avaliação do PL 6170/2025, aprovado na Câmara e atualmente em tramitação no Senado.

Durante a assembleia, a coordenadora geral do SINTUFEJUF e também dirigente da FASUBRA, Rosângela Márcia Frizzero, e o representante da federação, Flávio Sereno, detalharam o cenário após a votação simbólica do projeto na Câmara, que rejeitou praticamente todas as emendas apresentadas.
Um dos pontos mais graves destacados foi a alteração no conceito de atendimento ao público, restringindo a flexibilização da jornada às atividades voltadas ao “público externo”. Para a categoria, a mudança representa uma ameaça concreta à jornada de 30 horas praticada na UFJF, construída ao longo de anos de luta.
Rosângela classificou o resultado na Câmara como uma derrota política significativa e informou que a federação atua junto a senadores para tentar uma emenda de redação que suprima o termo “externo”, evitando que o projeto retorne à Câmara. Também foi apresentada a possibilidade de uma campanha nacional pelo veto presidencial do trecho que trata da flexibilização.
Ao longo do debate, o coordenador Rogério Silva reforçou as críticas à condução do governo em relação ao projeto e destacou que a luta precisa contemplar ativos e aposentados, defendendo que as conquistas incidam sobre o vencimento básico.
A coordenadora Rosângela Frizzero defendeu a importância da unidade da categoria, lembrando que as decisões da federação decorrem de instâncias democráticas e que o momento exige organização e mobilização efetiva. “A greve não se constrói apenas no discurso, mas com participação concreta nas unidades de trabalho”, destacou.
O coordenador de organização e política sindical, João Marcos Gonzaga, apontou que o PL tem características de reforma administrativa, alertando para dispositivos que ampliam terceirizações e criam novos cargos, com impactos estruturais na carreira. Ele defendeu que a construção da greve comece desde já nas unidades, fortalecendo a base para sustentar o movimento.
A assembleia deliberou que, além da pauta nacional, a greve incorporará reivindicações locais, entre elas o debate sobre o Programa de Gestão de Desempenho (PGD).
Também foi definida a constituição imediata do Comando Local de Greve, a partir da atual comissão de mobilização, com convite aberto à participação de toda a categoria. A direção ressaltou que a responsabilidade pela construção do movimento é coletiva.
Foi esclarecido ainda que a deflagração aprovada para o dia 23 seguirá o rito legal de comunicação à Reitoria dentro do prazo de 72 horas e está vinculada à consolidação da decisão na maioria das bases da FASUBRA.
O debate sobre a aprovação de um novo fundo de greve foi adiado para a próxima assembleia. A direção informou que há saldo remanescente da greve anterior, o que garante condições iniciais para a organização do movimento.
Ao final, foi realizado um minuto de silêncio em homenagem a José Oliveira Fernandes, o Didico do João 23.
A próxima assembleia está convocada para o dia 23 de fevereiro, às 14h, no anfiteatro da Reitoria (Campus/UFJF) quando será instalada formalmente a greve, caso confirmada nacionalmente.


