
A assembleia de greve do SINTUFEJUF reuniu técnico-administrativos em educação (TAEs) da Universidade Federal de Juiz de Fora (campi Juiz de Fora e Governador Valadares) e do IF Sudeste MG, na última quinta-feira (30), para avaliar o cenário das negociações e definir estratégias de mobilização. A mesa foi composta pela coordenadora geral Rosângela Márcia Frizzero, pelo coordenador de aposentados Rogério Silva e pelo representante do Comando Local de Greve, Flávio Sereno.
Um dos principais pontos do encontro foi o relato sobre a reunião com a administração superior da UFJF, marcada por tensão e ausência de respostas concretas. Segundo a avaliação da categoria, houve desvio das pautas prioritárias e falta de encaminhamentos sobre temas centrais, como o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) e o dimensionamento. Diante disso, a assembleia deliberou pelo reforço das cobranças formais à reitoria, especialmente quanto ao cumprimento da Resolução 35/2023 e à abertura de editais de afastamento para qualificação.
A assembleia também aprovou o referendo dos nomes que representarão a base no Comando Nacional de Greve da Fasubra (CNG): o TAE Fabrício Linhares, o coordenador de Saúde Ronaldo Dias e a TAE Luana Lombardi. Atualmente, a representação local em Brasília conta com Felipe Santos, Ursula Moraes e a coordenadora Cleide Spíndola, que vêm acompanhando as atividades nacionais.
Em informe direto de Brasília, o representante da categoria no CNG Felipe Santos relatou as dificuldades enfrentadas pelo movimento em nível nacional. Segundo ele, a mesa de negociação com o governo federal segue sem abertura, mesmo diante das tentativas de diálogo. “A gente aqui no Comando Nacional tá enfrentando dificuldades no sentido de que realmente a mesa de negociação não se abre e o governo continua ignorando. Hoje fizemos muito barulho, tentamos chamar atenção de todo jeito lá no MGI para ver se alguém recebia a gente, mas infelizmente nada. Eles só aceitaram protocolar documento, e isso não adianta.”, lamenta.
Felipe também destacou a limitação das ações de pressão diante da forma como algumas decisões vêm sendo conduzidas. “A deputada Érica Kokay foi no ato hoje e chamou atenção sobre o veto do PL da dosimetria, mas a votação ocorre de forma virtual, por cédula eletrônica, o que dificulta o acompanhamento e a mobilização.”, explica.
No âmbito local, a assembleia reafirmou críticas à postura da administração da UFJF, apontando falta de diálogo efetivo, recusa em analisar documentos já apresentados e tentativas de deslegitimação da greve. Entre os encaminhamentos, está o envio de novo ofício à reitoria solicitando levantamento detalhado sobre os editais de afastamento, além da orientação para que os trabalhadores cobrem suas chefias quanto ao cumprimento das normativas.
Além disso, o sindicato informou que recebeu uma intimação para prestar esclarecimentos em relação ao campus de Governador Valadares (GV), e a assessoria jurídica do SINTUFEJUF já está tomando as providências para responder ao Ministério Público. O documento é uma ação civil pública proposta pela Defensoria Pública da União (DPU) de Governador Valadares, solicitando uma tutela antecipada para o retorno ao trabalho na clínica de odontologia do campus GV.
Também foi discutida a judicialização que ataca o direito de greve na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o que motivou a volta ao trabalho em alguns setores para cumprir a liminar, enquanto o recurso era tratado pela assessoria jurídica da FASUBRA. A assembleia deliberou a aprovação de uma moção de apoio e solidariedade aos TAEs da UFV, ressaltando que a greve é um direito e não um crime, e condenando a postura do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) que se nega a negociar. Confira a seguir:
Moção de apoio à greve dos Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Os Técnico-Administrativos em Educação (TAEs), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), expressam seu total apoio e solidariedade aos colegas da Universidade Federal de Viçosa (UFV). A categoria sofreu um ataque ao seu direito de greve por parte de uma liminar judicial que determinou procedimentos que reprimem a mobilização dos trabalhadores da instituição.
Greve é direito e não crime. Ilegal e abusiva é a postura do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) que se nega a negociar com a categoria TAE, em greve há mais de 60 dias.
Manifestamos apoio integral aos TAEs da UFV e seu direito de lutar.
Assembleia Geral dos Técnico-Administrativos em Educação da UFJF.

