
Categoria mantém orientação sobre o ponto, aprova repúdio à reitoria e organiza rodízio de delegados no CNG
A Assembleia Geral em greve dos Técnico-Administrativos em Educação (TAE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do IF Sudeste MG, realizada na última quarta-feira (18), reafirmou o fortalecimento do movimento paredista, aprovou novos encaminhamentos de mobilização e ampliou a representação da base no cenário nacional.
Com participação expressiva, a assembleia deliberou, por 152 votos, pela manutenção da orientação de não registrar nem justificar o ponto eletrônico, consolidando a unidade como eixo central da greve.
O Comando Local destacou o avanço da paralisação em nível nacional. De acordo com levantamento da FASUBRA, já são 46 instituições em greve, número que evidencia o crescimento e a força do movimento em todo o país.

Durante o debate, a coordenadora-geral do SINTUFEJUF, Rosângela Márcia Frizzero, reforçou a importância da unidade da categoria diante dos desafios desta greve, marcada por elementos como a atuação do Ministério Público.
Segundo ela, o momento exige confiança nas decisões coletivas e compromisso com a construção do movimento. “Ninguém pode soltar a mão de ninguém. A gente precisa seguir a orientação do comando, que se reúne por horas para construir o melhor caminho para a categoria. A orientação é clara: não bater ponto, não realizar atividades que não foram deliberadas e manter a força da greve.”
Rosângela também destacou que, mesmo com o ponto eletrônico aberto, uma situação diferente de outras greves, a categoria tem condições de sustentar o movimento. “A gente nunca enfrentou uma greve com o ponto aberto, mas sabemos fazer greve assim também. Da mesma forma que já fizemos com o ponto fechado, vamos seguir firmes agora.”
Para ela, o cenário exige disposição para intensificar a mobilização e pressionar a administração. “Se a pressão vem de um lado, a gente precisa responder do outro. É assim que a greve avança. O fundamental é manter a unidade, fortalecer a mobilização e seguir firmes até a vitória.”
A manutenção do ponto eletrônico aberto pela reitoria segue como um dos principais pontos de tensão. A administração alegou impedimentos relacionados ao Ministério Público, mas propôs o zeramento do saldo negativo de horas ao final da greve.
A assembleia reafirmou a orientação de não registrar o ponto nem solicitar abono. No entanto, o debate também destacou que a luta não se limita a essa questão.
A categoria reforçou a necessidade de avançar nas demais reivindicações, como a regulamentação das 30 horas, o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), melhores condições de trabalho e o cumprimento integral dos acordos firmados.
A categoria também aprovou um texto de repúdio à administração da universidade, denunciando a quebra de acordo em relação ao fechamento do ponto eletrônico.
O documento critica a postura da gestão e aponta que a decisão de manter o ponto aberto gerou insegurança entre os servidores. O texto será encaminhado a entidades da educação, ao Comando Nacional de Greve e à própria FASUBRA.
Outro importante encaminhamento foi a definição de novos representantes da base no Comando Nacional de Greve (CNG).
Foram referendados pela assembleia os nomes de Adilson Zaniratto, Hitamar de Souza Ramos e Felipe Santos, compondo uma tríade de delegados que atuará em sistema de revezamento.
Atualmente, a base da UFJF (Juiz de Fora e Governador Valadares) e do IF Sudeste MG já está representada no CNG pelas delegadas Cleide Spindola e Maria Angela Ferreira Costa, que vêm participando das atividades nacionais e levando as demandas locais para o centro do debate.
A proposta de rodízio busca ampliar a participação da categoria, garantindo que mais TAEs possam contribuir diretamente com a construção das estratégias da greve em nível nacional.

A assembleia também trouxe relatos da reunião com o Secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino, Gregório Grisa e da agenda com o Ministério da Educação, quando o comando apresentou as principais reivindicações da categoria.
Entre os pontos debatidos estavam o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), a regulamentação das 30 horas e a situação dos aposentados, cujo reposicionamento segue negado pelo governo.
Segundo os relatos, embora não tenha havido avanços concretos imediatos, o secretário manifestou apoio à agenda dos TAEs, reconhecendo a legitimidade das reivindicações apresentadas.
Ao relatar a reunião, Rosângela destacou as dificuldades enfrentadas já no acesso ao encontro e criticou a postura do governo diante das pautas. “Tentaram limitar a participação da gente, impedir a entrada, mas conseguimos garantir presença e levar nossas pautas. A gente dialogou com o secretário e fez as cobranças necessárias.”
Ela também apontou os entraves dentro do próprio governo federal. “O que a gente ouviu foi que muitas coisas esbarram no MGI. Então está na hora do MEC fazer esse enfrentamento, porque nós somos do Ministério da Educação. Não dá para aceitar que nossas pautas fiquem sendo barradas.”
Apesar das limitações, a dirigente avaliou que a reunião serviu para pressionar e dar visibilidade às reivindicações da categoria. “A gente fez o nosso papel, entregou o documento com as pautas e fez a provocação política que precisava ser feita.”
Também foi destacada a necessidade de maior enfrentamento político dentro do próprio governo, diante dos entraves colocados por outros setores da administração federal.
Como parte da estratégia de fortalecimento da greve, a assembleia aprovou a realização de uma vigília durante a reunião do Conselho Superior (Consu) que aconteceu nesta quinta-feira, 19, com o objetivo de pressionar a administração e dar visibilidade às pautas da categoria.
Além disso, o Comando de Greve intensificará as visitas aos setores de trabalho para dialogar com servidores que ainda não aderiram ou que retornaram às atividades por receio, buscando ampliar a mobilização.
A avaliação geral é de que a greve segue em crescimento e que a unidade da categoria, aliada à intensificação das ações, será decisiva para avançar nas pautas locais e nacionais.
Documento aprovado pela assembleia:
Greve das pessoas TAEs da UFJF
Nós, trabalhadoras e trabalhadores da UFJF, iniciamos nossa greve no dia 23 de fevereiro. Trata-se de movimento que reúne demandas da categoria tanto em nível nacional quanto local. Nacionalmente, estamos em conjunto com cerca de 50 instituições federais de ensino (universidades e institutos federais) que aderiram à greve, de nossa federação — a FASUBRA — e que hoje constituem o Comando Nacional de Greve (CNG) organizado para as discussões e negociações com o governo federal. A pauta tem como eixo geral, o cumprimento do acordo firmado na greve de 2024.
Na UFJF, a mesma assembleia que iniciou a greve no dia 23, formou uma comissão que foi à Reitoria para comunicar a deflagração e solicitar o fechamento do ponto eletrônico.
Na ocasião, a gestão da universidade impôs alguns obstáculos, mas após a ocupação do saguão, que durou cerca de três horas, o ponto foi fechado.
Com a formação do Comando Local de Greve (CLG), tiveram início as ações para implementar a greve na UFJF e debater as demandas locais.
Para surpresa da categoria, a Administração da UFJF, além de apresentar uma extensa lista de serviços, passou a atacar os servidores nas redes sociais. É constrangedor para a categoria receber esse tipo de tratamento — típico da relação entre empregado e empregador adotada por empresas do setor privado —, sobretudo partindo de uma administração que se apresenta com discurso progressista.
Além destas declarações, a reitoria também abriu de forma unilateral, o sistema de ponto eletrônico. Rompendo o acordado no primeiro dia do movimento e interferindo de forma negativa na organização dos trabalhadores da instituição.
É importante destacar que, em todas as gestões anteriores da reitoria, sempre houve apoio ao nosso movimento, reconhecendo sua legitimidade na defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores e na luta pela universidade pública brasileira.
É urgente que a administração da UFJF retome a postura histórica da instituição e respeite o movimento sindical de nossa categoria