
Há trajetórias que se confundem com a própria história de uma entidade. A de Aluísio da Silva é uma delas. Sua caminhada no SINTUFEJUF e na Universidade Federal de Juiz de Fora atravessa momentos decisivos, marca transições, constrói caminhos e deixa ensinamentos que permanecem vivos na organização sindical e na memória coletiva da categoria.
Aluísio partiu no último domingo, dia 11, aos 72 anos, deixando um legado profundamente enraizado na história de luta dos trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF.
Sua militância antecede, inclusive, a própria criação do Sindicato. Em 1985, Aluísio foi um dos organizadores da primeira greve na Universidade Federal de Juiz de Fora, integrando o grupo de mobilização que pautou a isonomia entre as universidades federais e ajudou a construir um dos primeiros movimentos coletivos de enfrentamento e organização dos servidores na instituição. Esse processo foi fundamental para consolidar a consciência sindical na UFJF e abrir caminho para conquistas futuras.
Ele compôs a primeira coordenação geral do SINTUFEJUF entre 25 de junho de 1996 e 30 de junho de 1999, período emblemático em que a então associação se transformou em sindicato. Integrante do grupo Mobilização e Luta, dividiu a pasta com o companheiro Altair de Paula Oliveira e esteve na linha de frente de um processo histórico que reafirmou o Sindicato como instrumento de organização, resistência e defesa dos direitos dos trabalhadores técnico-administrativos em educação. Não se tratava apenas de uma mudança jurídica, mas de um salto político: fortalecer a luta coletiva, ampliar a participação e afirmar a autonomia sindical.
Sua presença seguiu firme nos anos seguintes. Entre 2008 e 2011, assumiu a Coordenação de Organização Política e Sindical, contribuindo para a formação, a mobilização e o fortalecimento das instâncias de base. De 2011 a 2014, como suplente da coordenação, manteve-se ativo, atento e comprometido, reafirmando que o fazer sindical não se limita a cargos, mas se expressa na disposição permanente para a luta.
Aluísio também deixou marcas profundas nos espaços de representação institucional. Atuou como presidente da CPPTA, integrou a Comissão Interna de Supervisão (CIS) e participou ativamente da comissão de enquadramento da carreira, em um momento decisivo de transição do PUCRCE para o PCCTAE. Sua atuação nesse processo foi fundamental para garantir direitos, corrigir distorções e fortalecer a carreira dos técnico-administrativos em educação, sempre com olhar atento às condições de trabalho e à valorização profissional.
Mas foi junto aos aposentados que uma de suas contribuições mais sensíveis e duradouras se consolidou. Aluísio compreendia que a luta não termina com o fim da vida laboral. Foi um dos responsáveis pela criação e fortalecimento do GT dos Aposentados do SINTUFEJUF, incentivando a organização política, a construção de espaços de escuta e formação, como os seminários de aposentados, e o reconhecimento daqueles que dedicaram suas vidas ao serviço público e à luta sindical. A criação da Medalha Elson Lopes expressa esse cuidado com a memória, com a história e com aqueles que ajudaram a construir o Sindicato.
A trajetória de Aluísio também se expressa nas pessoas que ele ajudou a formar politicamente. Para a coordenadora de Saúde do SINTUFEJUF, Janemar Melandre, sua influência foi decisiva. “Aluísio mudou a minha trajetória ao me trazer para a luta sindical. Em 1996, recém-chegada à UFJF, fiz parte da gestão da primeira diretoria do SINTUFEJUF. Obrigada, meu amigo e companheiro de lutas tão importantes para os técnico-administrativos em educação, por acreditar em mim. Aluísio, sempre presente.”
Para o atual coordenador de Aposentados do SINTUFEJUF, Rogério Silva, o legado de Aluísio permanece como referência.
“Aluísio nos ensinou que a aposentadoria não é silêncio, nem afastamento da luta. Ele ajudou a construir um espaço em que os aposentados seguem organizados, politizados e presentes na vida do Sindicato. Seu legado está na consciência de que a luta sindical é permanente e intergeracional.”
Homem de profundo conhecimento político e sindical, Aluísio foi, acima de tudo, um construtor. Construtor de pontes entre gerações, de caminhos coletivos, de uma prática sindical baseada na ética, na responsabilidade e na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.
O SINTUFEJUF se despede de Aluísio da Silva com respeito, gratidão e compromisso: o compromisso de seguir honrando sua história, mantendo viva a memória de quem ajudou a transformar o Sindicato em instrumento de luta, organização e esperança.