Notícias

Avisos

Informes

Universidades

Sindicalizados

Entreterimento

Assembleia de greve do SINTUFEJUF debate RSC, denúncia entraves institucionais e reforça mobilização nacional

17/04/2026

Na tarde da última quinta-feira, 16 de abril, o SINTUFEJUF realizou mais uma assembleia de greve da categoria, reunindo trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF e IF Sudeste MG para debater o cenário local e nacional da paralisação, com destaque para os desafios na implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e os desdobramentos das mobilizações em Brasília.

A mesa foi conduzida pelos coordenadores Paulo de Jesus e Ronaldo Dias, além do técnico-administrativo e integrante do Comando Local de Greve (CLG), Adilson Zaniratto. Parte da direção do Sindicato está em Brasília, onde acompanha as atividades do Comando Nacional de Greve e as mobilizações da categoria.

RSC expõe atrasos e precariedade institucional

Um dos principais pontos de pauta foi o andamento do Grupo de Trabalho (GT) sobre o RSC. Representantes da Comissão Interna de Supervisão da UFJF (CIS) relataram um cenário de preocupação diante dos entraves técnicos e institucionais.

Na ocasião, a servidora Silvia Regina Netto destacou que o início dos trabalhos foi marcado por frustrações com o atraso da instituição e a falta de estrutura adequada para dar conta da demanda. “Nós começamos um pouco pessimistas. Estamos muito atrasados e já foram evidenciadas uma série de dificuldades, principalmente com o SIGA, que não comporta o processo. É um trabalho muito volumoso, com grande exigência de documentação, e ainda não vemos apoio institucional suficiente para viabilizar isso.”, afirma

Segundo os relatos, mais de 70% dos processos previstos estão nos níveis mais altos do RSC, o que exigirá análise detalhada e maior volume de documentação. Além disso, a ausência de sistemas adequados faz com que muitos procedimentos ainda dependam de planilhas e trabalho manual.

Felipe Santos, também membro da CIS, reforçou a dimensão do desafio. “A gente vai precisar de muito apoio e paciência. São centenas de processos e, no ritmo atual, não será possível dar conta rapidamente. Existe uma precariedade estrutural que impacta diretamente o andamento dos trabalhos.”, comenta.

Debate aponta entraves políticos e falta de prioridade

Durante a assembleia, também foi levantada a avaliação de que os obstáculos enfrentados não são apenas técnicos, mas refletem decisões políticas da gestão da Universidade Federal de Juiz de Fora, especialmente na priorização de projetos.

A categoria apontou que iniciativas voltadas aos técnicos-administrativos, como o próprio RSC e o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), não recebem o mesmo tratamento que projetos direcionados a outros segmentos.

Mobilização em Brasília e cenário nacional da greve

Mesmo em Brasília, participando da caravana nacional e das atividades da greve, o coordenador geral do SINTUFEJUF, Carlos Augusto Martins acompanhou a assembleia de forma online e trouxe informes atualizados sobre a mobilização na capital federal.

Ele destacou a dimensão das atividades realizadas nos últimos dias e as dificuldades nas negociações com o governo. “Nós estamos aqui na caravana, em Brasília. Ontem tivemos uma marcha muito bonita, com cerca de 15 a 20 mil pessoas. Hoje participamos de uma manifestação em frente ao MGI, e a situação segue muito difícil. A ministra Esther Dweck tem se mostrado resistente, afirmando que os pontos do acordo já foram cumpridos, o que não corresponde às demandas da categoria.”, conta.

Carlos também informou que a delegação buscou diálogo com o Ministério da Educação. “Conseguimos uma reunião com o secretário de Educação Superior e ex-reitor da UFJF, Marcus Vinicius David. Vamos levar a insatisfação da base e tentar, junto ao MEC, avançar nas negociações com o MGI.”, explica.

Para Carlos a greve segue sendo fundamental para pressionar o governo federal, especialmente diante das mudanças no texto nacional do RSC, que podem excluir aposentados e restringir o acesso de parte da categoria ao direito.

Encaminhamentos e continuidade da mobilização

A assembleia definiu uma série de encaminhamentos, entre eles a elaboração de propostas para o fluxo de processos do RSC, a busca por soluções técnicas junto a outras instituições e o fortalecimento do diálogo com entidades da universidade.

Ao final da assembleia, também foram referendados os nomes que representarão a base no Comando Nacional de Greve, em Brasília, entre os dias 22 e 30 de abril: a coordenadora de Comunicação, Cleide Spíndola, e os técnicos-administrativos Úrsula Moraes e Felipe Santos.

Durante o encerramento, a mesa destacou que seguirá acompanhando os desdobramentos das negociações em Brasília e orientou a categoria a permanecer mobilizada nas próximas atividades, reforçando a importância da manutenção da greve como instrumento de luta diante do cenário de impasses locais e nacionais.