O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino de Juiz de Fora (SINTUFEJUF), por meio do seu Comando Local de Greve (CLG), encaminhou nesta quarta-feira, 1º de abril, o Ofício nº 033/2026 à Reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora. O documento responde ao Ofício/SEI nº 115/2026/GABINETE e apresenta esclarecimentos sobre as atividades essenciais durante a greve e o contexto do movimento paredista.
No texto, o sindicato destaca a necessidade de esclarecimento público diante da ampla divulgação do documento da Administração à comunidade acadêmica. Segundo o CLG, algumas interpretações apresentadas no ofício da Reitoria não refletem a realidade da greve nem os esforços empreendidos pela categoria.
A greve dos técnico-administrativos foi aprovada no dia 11 de fevereiro de 2026 e deflagrada em 23 de fevereiro, em consonância com o calendário nacional da FASUBRA. O sindicato ressalta que, no mesmo dia do início do movimento, eventos climáticos que atingiram Juiz de Fora levaram o município a decretar estado de calamidade pública, o que motivou a liberação imediata de atividades essenciais ligadas à segurança, transporte e manutenção.
Sobre a manutenção dos serviços, o SINTUFEJUF afirma que, desde o início da greve, não apenas as atividades legalmente consideradas essenciais estão sendo garantidas, mas também outras demandas relevantes. Entre elas, o funcionamento do Hospital Universitário, da Farmácia Universitária e do Hospital Veterinário, além de ações administrativas como pagamento de servidores, terceirizados e bolsistas, andamento de processos de férias, progressões, aposentadorias e concursos públicos.
O sindicato também contesta a caracterização feita pela Reitoria quanto à interrupção de serviços de assistência estudantil. De acordo com o ofício, atividades de apoio a estudantes em situação de vulnerabilidade, especialmente no Colégio João XXIII, seguem sendo realizadas, incluindo benefícios e auxílios como transporte e programas de permanência.
Outro ponto destacado é a divergência quanto à definição das atividades essenciais. O CLG afirma que a lista apresentada pela Administração é extensa e levanta questionamentos sobre sua compatibilidade com o direito de greve. O sindicato defende que a definição dessas atividades deve ocorrer de forma pactuada entre as partes, e não por imposição unilateral.
Em relação às negociações, o documento informa que foram realizadas apenas duas reuniões, nos dias 20 e 25 de março, sem avanços concretos. Segundo o sindicato, a segunda reunião foi encerrada unilateralmente pela Reitoria, o que dificultou o andamento das tratativas. A pauta local apresentada pela categoria conta com 19 itens, ainda sem encaminhamento efetivo.
O CLG também ressalta que a greve tem caráter nacional e está relacionada ao não cumprimento de acordos firmados anteriormente com o governo federal. Paralelamente, a mobilização na UFJF inclui demandas locais ligadas às condições de trabalho, organização institucional e valorização dos servidores.
Ao final, o SINTUFEJUF reafirma o compromisso com a universidade pública e com a comunidade acadêmica, destacando a disposição para o diálogo. O sindicato solicita a reabertura das negociações e defende que o processo seja conduzido com boa-fé, respeito e foco na construção de soluções concretas.
O documento ainda pede que sua íntegra seja registrada e divulgada pelos mesmos canais institucionais utilizados pela Reitoria para a comunicação anterior.
Confira o ofício