
A assembleia realizada no dia 24 de março reuniu os trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF e do IF Sudeste MG para avaliação do movimento de greve, informes das negociações locais e atualização sobre o cenário nacional da mobilização.
Um dos destaques foi a recomposição da comissão de delegados que representam o SINTUFEJUF no Comando Nacional de Greve (CNG) da Fasubra. As servidoras Cleide Spíndola e Maria Ângela Ferreira Costa retornaram a Juiz de Fora após participação nas atividades em Brasília, sendo substituídas por Felipe Santos, Adilson Zaniratto e Hitamar Souza Ramos, que passam a representar a base no comando nacional.
Ao relatar a experiência no CNG, Cleide Spíndola enfatizou o aprendizado político e os desafios internos do comando nacional, marcados por divergências, mas também por avanços na organização. Para ela, a experiência reforçou a necessidade de unidade e firmeza. “Há muitos embates e diferenças, mas também uma construção coletiva importante. A gente volta mais consciente da importância de fortalecer a greve e dar respostas organizadas ao governo”, resumiu.
Cleide também chamou atenção para a necessidade de foco político e organização nas respostas ao governo, defendendo que a categoria sistematize de forma clara os pontos do acordo que não foram cumpridos, como estratégia para fortalecer a luta nacionalmente.
Já Maria Ângela destacou a intensidade dos debates e a importância da permanência da greve como resposta ao governo. Segundo ela, o cenário nacional reproduz, em grande medida, os embates vividos localmente. “O comando nacional tem enfrentado um debate duro, com posições distintas sobre os rumos da greve, mas a avaliação majoritária é de que a resposta ao governo já está sendo dada na prática, com uma greve forte e resistente em todo o país”, sintetizou.
Ela também relatou sobre a mobilização em Brasília, com atos em frente a ministérios e participação em atividades no Congresso Nacional, evidenciando a pressão da categoria pelo cumprimento integral do acordo de greve de 2024. Ainda conforme o relato, há preocupação com tentativas de encerrar o movimento sem atender pontos centrais da pauta, especialmente aqueles que impactam aposentados e outros segmentos da categoria.
No âmbito local, a assembleia também contou com informes do coordenador geral Carlos Augusto Martins sobre a reunião realizada com a Reitoria da UFJF no dia 20 de março. Segundo ele, houve avanço em alguns pontos da pauta, como a retomada de comissões e grupos de trabalho, incluindo o de tradutores e intérpretes de Libras, além da sinalização de retomada da comissão sobre a abertura das reuniões do Conselho Superior.
Por outro lado, permanecem impasses importantes. Entre eles, a manutenção do ponto eletrônico aberto durante a greve, posição reafirmada pela Reitoria, e a negativa em relação à retomada das linhas de ônibus, além de limitações apontadas quanto à ampliação de vagas em programas de pós-graduação vinculados ao CAEd.
Carlos Augusto também destacou que estão previstas novas rodadas de negociação, sendo a próxima reunião agendada para tratar prioritariamente dos pontos de pauta referentes ao campus de Governador Valadares.
A coordenadora geral Rosângela Márcia Frizzero trouxe informes sobre decisões recentes do Comando Nacional de Greve, incluindo a aprovação de um regimento interno, e alertou para a necessidade de intensificar a cobrança pela implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Segundo ela, é urgente que a universidade publique a portaria necessária para dar início aos trabalhos das comissões responsáveis. “Essa é uma cobrança que precisa ser imediata. O comando já está se organizando para constituir a comissão, mas depende dessa formalização por parte da instituição”, pontuou.
Outro ponto importante debatido na assembleia foi a organização de uma possível caravana a Brasília. Foram apresentados informes sobre propostas de atos nacionais, incluindo uma mobilização da Fasubra prevista para o dia 14 de abril e uma marcha convocada pelas centrais sindicais no dia 15 de abril, o que implicaria a realização de uma caravana de dois dias.
Durante o debate, foi ressaltado que a participação no ato do dia 15 ainda não havia sido discutida no âmbito do comando local, o que exigiria uma avaliação mais aprofundada antes de uma deliberação definitiva. Diante disso, a assembleia aprovou o encaminhamento de autorizar o comando de greve a aprofundar a discussão, dialogar com o Comando Nacional e, caso aprovado, organizar a caravana para os dias 14 e 15 de abril.
Ainda durante a assembleia, foi reafirmada a orientação de mobilização da categoria, incluindo a manutenção da posição de não registro de ponto e não atendimento às demandas da Reitoria enquanto não houver solução para a questão, estendendo-se também aos períodos de recesso em que o sistema permanece aberto. A deliberação foi apresentada como parte do conjunto de ações do movimento, sem centralidade no debate.
Ao final, a assembleia reforçou a importância da participação da base nas atividades de greve e nos espaços de decisão, destacando que o fortalecimento da mobilização, tanto no plano local quanto nacional, será determinante para conquistar avanços entre as reivindicações da categoria.



