2º Dia Nacional de lutas em defesa da Educação Pública mobiliza comunidade acadêmica da UFJF, entidades sindicais, estudantis e movimentos sociais

O 2º Dia Nacional de lutas em defesa da Educação Pública levou milhões de pessoas às ruas em todo o país na última quinta-feira, 30 de maio. As mobilizações nacionais foram convocadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e no âmbito local, teve adesão do SINTUFEJUF, APES, DCE, Gremio Estudantil Técnico-Secundarista (GETS), União Colegial de Minas Gerais (UCMG)  além de sindicatos de professores estaduais e municipais, entre outras entidades e movimentos sociais.

Em Juiz de Fora, as atividades tiveram início na parte da manhã, organizadas pelo SINTUFEJUF, APES e DCE. A partir das 6h30 trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF realizaram uma panfletagem no HU CAS. Às 9h, estudantes e docentes se juntaram aos TAES na Farmácia Universitária e às 10h30, na Faculdade de Odontologia.

A adesão das trabalhadoras e trabalhadores técnico-administrativos em educação da UFJF às mobilizações da data foram aprovadas em assembleia geral da categoria, realizada no dia 27 de maio. De acordo com a coordenadora geral do SINTUFEJUF, Maria Angela Costa, desta vez, estrategicamente não houve deliberação por paralisar as atividades. ‘‘Hoje, assim como no dia 15, o objetivo é conscientizar as pessoas que os serviços que são prestados pela universidade estão correndo o risco de serem fechados, ou ter o atendimento reduzido devido aos cortes do governo na área da educação’’. Segundo ela, para fazer o diálogo com a comunidade usuária diretamente destes serviços, é preciso que o atendimento esteja acontecendo. ‘‘Mas estamos fazendo um movimento para ter a greve geral no dia 14, porque o momento é muito trágico, é necessário que as pessoas se juntem para mostrar que o governo não pode acabar com a educação pública e com o atendimento ao público. Então, estamos aproveitando para convidar as pessoas a fazerem a mobilização às 17h, mas paralisação mesmo, é no dia da greve geral”, explica. A coordenadora destaca que, além do atendimento ao público como consultas, cirurgias das mais altas complexidades, exames, tratamentos odontológicos, as universidades são responsáveis por 90% das pesquisas do país na área da saúde, descobrindo o tratamento das mais diversas patologias. “A gente está defendendo o atendimento público para a população, que tem direito a ter acesso uma vez que pagam com seus impostos” afirma Maria Angela.

Professora aposentada da rede estadual, Laura Maria Rezende Barbosa, assim como sua família, é usuária dos serviços prestados pela universidade. Ela conta que o filho fez implante na faculdade de odontologia, o irmão está há quatro meses sendo atendido pela faculdade e ela faz tratamento para apneia do sono. Para ela a universidade é imprescindível devido ao atendimento gratuito e de qualidade, de referência nacional. “Estou muito satisfeita com o atendimento. É uma perda enorme, e por isso, a luta tem que continuar, o governo precisa ceder. A gente sente parte das conquistas no serviço público, porque a gente sempre esteve na luta, ajudou a construir e a modificar a história’’, lamenta.

Zuleyce Maria Lessa Pacheco, segunda tesoureira da APES, também falou sobre a decisão de não paralisação dos docentes, que segundo ela, optaram por viabilizar a participação dos alunos adiando trabalhos e avaliações que estariam marcadas para a data. Para ela a importância da data é fazer as pessoas compreenderam a relevância das universidades, que divulgam trabalhos socialmente referendados. “O retorno da qualidade e do empenho de nós docentes em relação aquilo que é o nosso trabalho, é estar conduzindo os alunos para uma formação humanizada, de qualidade. A universidade tem um papel social, e nós enquanto docentes temos um papel de referência para essa juventude que vai ser trabalhadora como nos. Para isso a gente precisa defender a universidade, defender esse espaço laico”. Em relação aos cortes do governo, ela teme o sucateamento de serviços e o fim de projetos realizados pelas universidades. “Nós temos projetos de pesquisa vinculados a extensão que são beneficiados com essa verba, então este é o retorno que a universidade dá para a comunidade. Aqui é onde se constrói a ciência, a tecnologia. A gente precisa que o governo continue olhando para universidade não como uma forma de lucro, mas de retorno para comunidade daquilo que aqui é empenhado’’.

Além dos cortes na educação, o coordenador executivo do DCE, Gabriel Lacerda demonstra preocupação com a proposta de Reforma da Previdência. ‘‘A gente entrou nessa atividade para manter aceso o motor de mobilização contra a Reforma da Previdência e contra os cortes de gastos. A gente entende que hoje é uma etapa muito importante para consolidar uma greve geral mais fortalecida e conseguir dialogar com a população. Nós estudantes estamos preocupados além do fato de trabalhar até morrer, o que já é grave, é a questão de que, com o aumento da idade mínima e do tempo de contribuição, o trabalhador vai estar mais tempo no mercado de trabalho, ocupando uma vaga que a gente poderia assumir saindo da faculdade com nosso currículo. Ou seja, vai aumentar o desemprego da juventude, isso tudo vai agravar muito as condições do mercado de trabalho e as condições de vida que a gente tem hoje’’, destaca Gabriel.

Às 12h, a mobilização aconteceu no campus Juiz de Fora do IF Sudeste MG, e contou com a presença também do Grêmio Estudantil Técnico Secundarista – GETS. O objetivo era dialogar com a comunidade acadêmica que poderá ser afetada com os cortes na Educação. E às 15h30, com o apoio do SINTUFEJUF,  os estudantes do IF Sudeste realizaram uma exposição de banners em frente ao Cine Teatro Central

Para o tesoureiro do GETS, Caléo Alecsander Silva Miranda, é fundamental a unidade entre estudantes e sindicatos “O governo Bolsonaro colocou para a gente um corte absurdo, que vai tirar a nossa assistência estudantil, tirar o ticket do RU, além de tirar 30% das bolsas de pesquisa, ensino e extensão. Isto significa que vários alunos deixarão de estudar no instituto federal. A gente sabe que aqui a gente tem uma grande população que tem uma condição sócio econômica muito baixa, e precisa desses apoios. Hoje é fundamental que a gente esteja fazendo essa defesa, do instituto e dos estudantes” explica Caléo.

A tarde, as trabalhadoras e trabalhadores participaram do 2º Ato Unificado em Defesa da Educação, com concentração às 17h no Parque Halfeld, em frente à Câmara Municipal.

Em Governador Valadares, trabalhadoras/es da UFJF e IFMG, junto aos estudantes das entidades federais e da rede estadual de ensino, além de entidades sindicais, também participaram das mobilizações. A concentração teve início às 8h30 na Praça do Emigrante (praça do shopping), de onde saíram às 9h30 para a 2° Caminhada em Defesa da Educação Pública. Os manifestantes seguiram em direção ao Mercado Municipal, onde aconteceu uma breve parada. Em seguida, a passeata continuou rumo à Praça dos Pioneiros, com panfletagens e diálogo com a população sobre os cortes na educação pública e os impactos no município. Ainda na Praça dos Pioneiros, às 10h30 ocorreu a divulgação de produções acadêmicas de professores, técnicos e estudantes, conforme a proposta Universidade na Rua, além de atividades culturais.

SINTUFEJUF

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